Saúde mental e o mundo 4.0 – Jornal Zen – Fevereiro/2020

Saúde mental e o mundo 4.0 – Jornal Zen – Fevereiro/2020

O ano de 2020 começou com a promessa de ser um ano voltado para refletir sobre a Saúde Mental, pois o mês de janeiro foi batizado de “Janeiro Branco” em referência ao mês da Saúde Mental. É um tema que precisa sair dos consultórios médicos e fazer parte dos assuntos prioritários na sociedade e nas empresas. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o Brasil é o primeiro no ranking em relação a transtornos de ansiedade, são 18,6 milhões de pessoas. Já em relação à depressão ficamos em quarto.

A Revolução 4.0 traz com ela problemas também complexos no campo humano. Os profissionais com a chamada Síndrome do Mundo 4.0 estão cada vez mais auto exigentes, buscando sucesso e realização acima de qualquer medida. Não conseguem viver no presente, estão sempre devendo algo. Ao mesmo tempo que fazem esse esforço, não se identificam como suficientes. O famoso eterno insatisfeito. E essa insatisfação tem a ver consigo mesmo. Isso me lembra o mito de Atlas. Ele foi um dos titãs gregos que atacaram o Olimpo em busca de poder supremo. Zeus vitorioso puniu os seus adversários, em especial, Atlas que foi incumbido de sustentar os céus sob os seus ombros.

Atlas está representado no nosso corpo através da primeira vértebra que sustenta o peso da nossa cabeça. Podemos fazer uma alusão ao peso dos nossos pensamentos. Ele retrata o peso das dificuldades cotidianas que sobrepujam nossos ombros, excessos de incumbências, obrigações, tarefas que aceitamos e não estabelecemos limites. A Síndrome do Mundo 4.0 invade a nossa vida, que aprisiona nosso olhar sob lugar nenhum: olhar para fora de si, o não estar em lugar nenhum, o vazio da existência ao mesmo tempo que busca a eterna aprovação social.

Com o aumento de adoecimento nas empresas e prejuízos na produtividade dos profissionais, tem se discutido que a Saúde Mental é uma das vantagens competitivas nas empresas. Pessoas felizes são mais produtivas. Afinal, quem consegue trabalhar com dor, seja ela física ou emocional? As pressões internas e externas nos colocam em uma disputa com os robôs que são concebidos para não errar. Esta disputa e auto exigência nos fazem adoecer. E, em muitos casos, não há mais a chance de ter uma bateria extra para nos recarregar.  

A tecnologia deve ser vista como uma grande aliada para a criação de soluções que facilitem a vida do ser humano. Por isso, não cabe desespero e muito menos o uso desiquilibrado desta ferramenta. As pessoas que tiverem maior controle emocional sobre as transformações e conseguirem ter uma postura positiva diante das mudanças serão altamente beneficiadas nessa nova era. O que não se pode é ser “escravo” da tecnologia ou ter medo de buscar novas ferramentas.

Invista no seu processo de autoconhecimento! Desenvolva a sua Agilidade Emocional, ou seja, a sua capacidade de acolher as suas emoções e sair do modo automático nas suas respostas aos acontecimentos do dia a dia.

Pratique o autoconhecimento e potencialize-se!Carla Béck é psicóloga, Diretora da Infinita EPH e especialista em desenvolvimento de carreira. carlabeck@infinitaep

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