Resenha de filme: Loucuras de amor mostra a importância do amor para enfrentar problemas

Resenha de filme: Loucuras de amor mostra a importância do amor para enfrentar problemas

Leveza, sutileza e sensibilidade. É desta forma que Loco por Ella (2020) aborda temas sobre saúde mental. A comédia romântica, que pode ser assistida na Netflix, surpreende ao fugir da mesmice, levantando temas necessários para debater.

Tendo como enredo principal o relacionamento entre Adri (Álvaro Cervantes), um jovem jornalista e Carla (Susana Abaitua), paciente que possui transtorno de bipolaridade e que está em tratamento em um centro psiquiátrico, o filme equilibra histórias secundárias de forma que complementa o romance de Adri e Carla. Os protagonistas se conhecem em um bar, e passam uma noite mágica juntos. Com o passar do tempo, Adri se vê apaixonado e motivado a encontrá-la. 

Dani da Ordem, diretor do filme, conseguiu destacar temas não populares através de personagens coadjuvantes. Durante o longa, a história de Adri e Carla sofre uma breve pausa e o contexto dos personagens em uma clínica psiquiátrica ganha mais visibilidade. A partir disso, o diretor consegue introduzir as lições mais valiosas do filme.

Cada papel secundário tem seu valor e se torna fundamental para entender a mensagem da história. Ao lidar com a rejeição inicial de Carla, Adri entende que precisará da aprovação dos outros pacientes. Saúl (Luis Zahera) e Marta (Aixa Villagrán) são dois personagens que são ajudados por Adri, que a esta altura se vê conectado com seus outros colegas e entende a situação de cada um. Marta tem síndrome de Tourette, um distúrbio que a faz repetir sons e palavras indesejadas a qualquer momento, e Saúl, colega de quarto de Adri, apresenta sinais de TOC (transtorno obsessivo-compulsivo), o que o leva a tomar decisões irracionais por conta dos comportamentos compulsivos. Tudo abordado com muita sutileza.

Os dilemas de cada personagem apontam paradigmas que ainda hoje não foram quebrados, como o preconceito. A falta de apoio aos pacientes é nítida em alguns momentos. O filme aborda o cotidiano de um centro psiquiátrico com muito cuidado  e carinho, exibindo a rotina dos pacientes desde o recebimento de medicamentos, os horários para as atividades e o encontro com as visitas.

O relacionamento familiar também é explorado no decorrer do filme, e é um dos temas cruciais para a continuidade da história, pois traz mais que uma versão, exibindo a visão dos pacientes e também a dos familiares, que enxergam e esperam o resultado dos tratamentos de seus filhos, cônjuges e parentes. Essa expectativa é importante para entender a pressão que cada paciente tem sobre si mesmo, e como é bem-vindo o mínimo sinal de empatia e afeto.

O final de uma comédia-romântica, que estamos acostumados a ver, acontece. Isso não é um spoiler ou novidade, mas a maneira que se desenrola é feita com muita ternura e de uma forma não convencional. Como a principal lição que o filme nos deixa é a mensagem de que quando se ama, está junto para o que der e o que vier. O longa deixa claro que o amor e a prática da empatia são os combustíveis para enfrentar e superar as adversidades e o preconceito.

Loco por Ella nos convida a refletir sobre a aceitação e propõe mais empatia e solidariedade com o próximo. Por que não adotar no nosso cotidiano?

Pratique o autoconhecimento e potencialize-se!

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