Resenha de série: Atlanta é a experiência que você precisa ter para abrir a mente e “sair da caverna”

Resenha de série: Atlanta é a experiência que você precisa ter para abrir a mente e “sair da caverna”

A cidade de Atlanta, que dá nome à série, capital do estado da Georgia, nos EUA, é o cenário ideal para o que os diretores se propuseram a fazer. Historicamente, a cidade já foi sede das Olimpíadas de 1996, mas sempre lidou com brigas de gangues, pobreza e alta criminalidade, o que serviu de inspiração para o seriado.

Com a primeira temporada lançada no final de 2016, Atlanta conta a história de Earn (Donald Glover), um jovem que abandonou a faculdade três anos atrás, e que se encontra vendendo cartões de créditos no aeroporto da cidade. Após descobrir que seu primo Alfred (Brian Tyree Henry), agora é Paper Boi, um rapper em ascensão, Earn vê a oportunidade de mudar de vida gerenciando a carreira do artista. Por estar sem grana, ter uma filha pequena com Van, (Zazie Beetz) sua ex-namorada, e proibido de entrar na casa dos pais, Paper Boi é a única alternativa para sair da situação onde se encontra.

Após selar parceria com seu primo, Earn encontra diversos desafios como empresário. Ao longo do caminho, o personagem lida com múltiplos pontos de vista sobre arte, comércio, raça, hip hop e muito mais. Mesmo sendo o personagem principal da trama, Earn é muito misterioso e raramente deixa suas fraquezas transparecer, porém ao tentar escondê-las acaba se auto sabotando e deixando-as controlá-lo. A aparência despreocupada do personagem é rapidamente interpretada como um disfarce na tentativa de desviar de conflitos.

Observando o lado psicológico, a dupla tem de enfrentar críticas pesadas. O contraste de personalidade entre os primos é nítido nesse dilema. Paper Boi é mais resistente – o que o coloca em situações difíceis –, e Earn por sua vez, prefere evitar confusões, e é justamente a fuga do problema que piora sua situação. Durante a trama, Earn chega a mencionar que ele é um perdedor e que pessoas como ele existem apenas para facilitar a vitória dos vencedores.

Ao final da primeira temporada, é possível observar a maturidade psicológica de Earn. Se antes ele precisava fugir de cada situação, agora ele é o primeiro a apresentar soluções, pois sempre que fugia o seu conflito crescia e consequentemente ele se encontrava em uma situação pior. E por lidar com o racismo constante, os personagens são usados como ferramentas para ensinar uma lição diferente em cada episódio. Mas a principal reflexão que a série traz é que a verdadeira vitória pertence a quem enxerga o lado bom das coisas. Por isso, o pessimismo e a ilusão que a fama proporciona são obstáculos a serem superados, e o fardo de não resolver problemas do passado passa a retardar o crescimento pessoal.

É interessante como os diretores (Hiro Murai e Donald Glover) oferecem a saída da bolha social. A todo momento, Atlanta proporciona reflexão através da contemporaneidade, e deixa os temas polêmicos para que os telespectadores liguem os pontos e enxerguem outras realidades. Um dos pontos fortes da série é fazer o telespectador se enxergar nos personagens. Não existem exageros nas características, são pessoas comuns vivendo suas vidas e enfrentando seus dilemas pessoais e coletivos, e isso basta para ter uma história fantástica.

Muitos conhecem Donald Glover pelo sucesso musical com ‘This is America’ (videoclipe também dirigido por Hiro Murai), ou por atuar em um filme ou outro, mas nada do que ele já tenha feito antes é tão genial quanto Atlanta. A série já ganhou diversos prêmios no decorrer de duas temporadas, mas vale destacar o Globo de Ouro de melhor série de comédia e de melhor ator em série de comédia para Donald Glover, ambos em 2017. Donald Glover entrou para história ao ser o primeiro negro a ganhar o Emmy de melhor diretor em uma série de comédia.

A série é produzida pelo canal FX, e tem disponível suas duas temporadas na Netflix. Os diretores de Atlanta já estão gravando a terceira temporada e confirmaram a produção de mais outra.

Atlanta oferece “sair da caverna”, e vai além: mostra que não importa qual problema estamos fugindo, somos maiores do que nos aflige. Por que não adotar este mindset?

Pratique o autoconhecimento e potencialize-se!

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