Toilet – Quando o propósito é capaz de mudar culturas fortes

Toilet – Quando o propósito é capaz de mudar culturas fortes

Existe algo mais simples e digno do que ter um espaço para fazer suas necessidades de forma particular? O filme Toilet mostra que não. Ter acesso a saneamento básico é o mínimo que um ser humano deve ter. Além de trazer a problemática sobre a cultura indiana e a relação com o saneamento básico, o longa envolve um romance e a força das mulheres para motivarem uma “rebelião”.

O enredo do filme é desenvolvido a partir do relacionamento de Keshav, um homem de 30 anos, e Jaya, uma jovem universitária. A vila onde mora segue a linha ortodoxa do hinduísmo, ou seja, aspectos relacionados à vida religiosa, civil e pessoal dos seguidores. E aqui entra a questão que motiva a história do filme. Uma das diversas regras envolve a questão higiênica, determinando que a população não pode defecar nos arredores da própria casa, o que acarreta a não construção de banheiros em casas. Este é o cenário do lar de Keshav. Já o lar de Jaya segue uma linha mais moderna e que permite a construção de banheiros dentro de casa.

Ao se casar com Keshav, Jaya descobre que terá de caminhar longas distâncias para fazer suas necessidades, e aqui fica nítido o primeiro problema: as mulheres fazem este trajeto em grupo para evitar que sejam expostas a risco de assédio e violência sexual. Jaya não se conforma com a ideia de passar o resto da vida seguindo esta rotina e pede para que Keshav construa um banheiro para que ela não precise se expor a esta situação, que embora tradicional, é machista e perigosa. Embora relutante a ir contra os costumes da vila onde mora e de sua religião, Keshav cede à pressão de construir um banheiro para Jaya ao ser ameaçado com um pedido de divórcio.

A partir deste momento, muitas lições são perceptíveis ao espectador. O propósito de Jaya e quebra de paradigmas transcendem o amor que ela sente pelo marido. Suas convicções sobre a importância da mulher na sociedade vão além de um casamento. De início, a questão era apenas familiar, um problema a ser resolvido em casa, mas com a negação do patriarca da família, Keshav começa a buscar soluções que surtiram efeito a curto prazo, e que apenas adiaram a resolução definitiva para mais a frente. Inclusive, o filme mostra isso de maneira cômica. A lição que fica é que não enfrentar a raiz dos nossos problemas é uma forma de postergar a resolução e diminuir o sofrimento momentaneamente, o que acarreta dores de cabeça ainda maiores no futuro. E Keshav, gente como a gente, custou a entender isso, e depois de muitas tentativas frustradas, e finalmente um choque de realidade, conseguiu tomar a decisão correta.

O choque de realidade de Keshav é quando ele entende que precisa ser radical, caso contrário, perderá sua esposa – sentimentalmente doloroso, e publicamente vexatório. Ao mesmo tempo que a vergonha de se divorciar motiva a mudança, o amor de Keshav por Jaya faz a mesma coisa e até de maneira mais intensa. Em momentos como este que podemos enxergar até onde o companheirismo pode chegar, e o quão importante é o amor. Keshav vai contra a sociedade, religião e família e enfrenta o que já falamos muito aqui na InfinitaEPH: a mudança de cultura.

O fim do filme mostra que a luta do casal e de milhares de mulheres que se juntaram à causa valeram a pena, e Keshav consegue construir um banheiro para sua amada. E o que mais chama a atenção é a vontade de transformação de Jaya. Lutando pelos direitos dela e das mulheres, ela consegue mover um país em direção à reflexão. A história do filme é verídica – o mesmo vale para os problemas de saneamento básico do país – o que nos faz pensar, em um dia como hoje (19/11), o dia do empreendedorismo feminino, que uma mulher tem o poder de fazer total diferença em qualquer lugar que esteja.

Toilet é um filme que consegue trazer problemas culturais seríssimos e voltar a atenção para fora da nossa bolha social.

Pratique o autoconhecimento e potencialize-se!

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