Resenha de filme: The Boys – O que seria da sociedade se heróis com superpoderes existissem?

Resenha de filme: The Boys – O que seria da sociedade se heróis com superpoderes existissem?

Você já imaginou se os super-heróis, que estamos acostumados a assistir no cinema ou ler nos quadrinhos, existissem na vida real? E quais seriam as mudanças? Viveríamos em um mundo mais justo e seguro? Pois bem, hoje a resenha será sobre a série de televisão The Boys, que explora como seria a sociedade atual caso existissem super-heróis.

Lançada em 2019 e produzida pelo serviço de streaming Amazon Prime Video, a série é baseada nas HQ ‘s de Garth Ennis, pela Dynamite Entertainment, adaptada para a televisão pelo diretor Erick Kripke. Com duas temporadas lançadas e a terceira com data prevista para este ano, The Boys conta a história de Hughie Campbell (Jack Quaid) que mora com o seu pai e trabalha em uma loja de eletrônicos quando, em um certo dia, ao se despedir da namorada em frente ao trabalho, vê a própria ser atropelada e consequentemente morta por Trem-Bala (Jessie Usher), um dos Os Sete. 

Os Sete é um esquadrão de sete heróis de elite, formado por Capitão Pátria (Antony Starr), Rainha Maeve (Dominique McElligott), Black Noir (Nathan Mitchell), Profundo (Chace Crawford), Translúcido (Alex Hassell), Trem-Bala e Luz-Estrela (Erin Moriarty), que são operados pela Vought, uma megacorporação que é responsável pelo merchandising e por todas as operações de vigilância que são exercidas pelos sete super-heróis. Essa grande empresa responsável pelos heróis tenta comprar o silêncio de Hughie, para que não divulgue o assassinato de sua namorada, mas o jovem não aceita a proposta e prefere a vingança, entrando para o grupo de vingativos, chamado The Boys. Um grupo de humanos sem superpoderes, liderado por Billy Butcher (Karl Urban), um ex-oficial da CIA e nada ético, que busca junto com outros integrantes do grupo, mostrar quem são os verdadeiros super-heróis, que são amados pela sociedade e controlados pela Vought.

Durante a primeira temporada, a série busca mostrar como cada super-herói dos Sete, mesmo amados e idolatrados pelas pessoas, lida de maneira nada heroica com suas tarefas. Capitão Pátria, líder do grupo e uma espécie de Superman, mostra em todo momento como está preocupado somente com a sua imagem e não em salvar a vida de pessoas. 

Em uma das cenas da primeira temporada, o super-herói opta por não salvar a vida de dezenas de pessoas que estão caindo em um avião, por considerar ser uma situação que dará muito trabalho e nada recompensadora para ele. Outra cena, ainda da primeira temporada e que mostra a crueldade dos heróis, está focada em Profundo que, ao receber Luz-Estrela, a nova integrante do Os Sete, tenta estuprá-la e usar como justificativa ser apenas um “trote” para a sua entrada no esquadrão. Apesar desses e outros crimes e atitudes nada heróicas, a Vought manipula toda a mídia e esconde qualquer tipo de ação que possa manchar a imagem dos seus heróis.

Na segunda temporada, o grupo de heróis sofre algumas alterações. Luz-Estrela, apesar de ainda fazer parte do esquadrão, já não coopera mais com os mesmos ideais dos heróis e passa a ajudar os The Boys. Tempesta, uma nova heroína, chega ao grupo do Os Sete, após a morte de Translúcido, mas logo mostra que assim como os outros integrantes, também não está ali para ser uma heroína do bem. 

A nova heroína da série traz para a segunda temporada a questão da grande influência das redes sociais na sociedade, procurando sempre fazer lives e fotos com os heróis, preocupando-se em como aumentar a sua popularidade e maquiar ainda mais as maldades do grupo. Além disso, a segunda temporada também fortalece a questão do feminismo, deixando mais transparente em uma das cenas finais da temporada, quando Luz-Estrela se junta com Rainha Maeve e Kimiko (Karen Fukuhara), uma das integrantes do The Boys, para combater Tempesta.

The Boys é uma série que, ao trazer questões tão atuais, promove o debate de temas recorrentes na sociedade. O que a história da série passa é como o poder corrompe o comportamento e o pensamento dos seres humanos. Apesar de ser uma sátira de muitos filmes e histórias que estamos sempre acostumados a consumir de super-heróis, The Boys busca seguir o caminho contrário e mostrar quais são as consequências em ter esse poderosos humanos no mundo.  

Assim, a trama das duas temporadas de The Boys apresenta questões que estão presentes na atual sociedade, como o fanatismo, idealização de figuras poderosas, o machismo, a manipulação da mídia, a influência das redes sociais, corrupção, feminismo e a homofobia. Portanto, ao assistir a série deve-se preparar para cenas com violência, sarcasmo, palavrões e muita reflexão sobre o mundo em que vivemos.

Apesar da terceira temporada não ter uma data definida, espera-se que tenha sua estreia no primeiro semestre deste ano. De acordo com o diretor Eric Kripke, a terceira temporada será centrada no tema “masculinidade tóxica”.

Pratique o autoconhecimento e potencialize-se! 

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