Resenha de série: Unbreakable Kimmy Schmidt — você realmente é inquebrável?

Resenha de série: Unbreakable Kimmy Schmidt — você realmente é inquebrável?

Diretamente da cidade de Nova York, a série Unbreakable Kimmy Schmidt, além de proporcionar um momento leve de descontração, também nos permite refletir sobre questões sociais, reclusão em relação à saúde mental e esconder traumas. 

Ao longo de quatro temporadas, a produção original Netflix conta a história da jovem Kimmy (Ellie Kemper), que foi sequestrada pelo reverendo Richard Wayne Gary Wayne aos 13 anos e, durante 15 anos, permaneceu trancada em um bunker subterrâneo com outras três mulheres. O motivo pelo qual elas nunca haviam saído, foi que o reverendo passou a certeza de que, externamente, o mundo tinha acabado por causa de um apocalipse nuclear. 

Nos episódios da série, Kimmy comenta sobre os acontecimentos no bunker, relacionados aos abusos psicológicos que sofreu durante 15 anos. Assim que ela se muda para Nova York, após sair do bunker, ela conhece Titus Andromedon (Tituss Burgess), um aspirante a artista e cantor, que após várias tentativas frustrantes em audições se muda para uma área de Nova York que está passando pela gentrificação. Kimmy chega nessa área e vê Tituss, e se oferece para dividir o pequeno apartamento dele com ela. A proprietária do imóvel, Lilian (Carol Kane), faz manifestações contra a gentrificação e não apoia a modernidade no bairro. 

Apesar da história pesada e de existir uma trama infeliz na vida da jovem e dos colegas que conhece, Kimmy sempre está com um sorriso no rosto e uma atitude positiva e um espírito otimista diante das pessoas e as dificuldades de sua vida, como é refletido no próprio título da série “inquebrável”. Porém, chegam momentos que, reprimir os sentimentos através de um escudo de otimismo não resolve a superação dos desafios. 

Na primeira temporada, Kimmy acha que não precisa de terapia, mas quando conhece a terapeuta Andrea (Tina Fey), durante o momento em que ela estava trabalhando como motorista de aplicativo, tem uma epifania de começar a fazer sessões. Depois de começar a praticar o autoconhecimento, a jovem percebe que há muito por trás das suas crises agressivas (como em um episódio em que ela tem um pesadelo com o reverendo e quase bate em Tituss).

A série possui humor ácido e reflexivo, que destaca situações e assuntos que podem ser desconfortáveis para a sociedade e para olharmos para nós mesmos, mas que são ligados à realidade e podem nos tornar motivados. Kimmy, após descobrir o que amava, decidiu seguir suas paixões e lançou um livro para crianças, com metáforas sobre encontrar seu próprio poder e desigualdade de gênero, questões que a protagonista percebeu vivendo fora do bunker, em situações que ela vive na trama. 

Assim como Kimmy, podemos buscar o autoconhecimento através dos cuidados na terapia, não somente utilizar a positividade como forma de viver. É importante saber que existem traumas em nossas vidas e que precisamos buscar entendê-los para nos tornarmos, realmente motivados e alcançarmos as nossas metas. 

A série da Netflix foi lançada em 2015 e encerrada em 2019, após quatro temporadas. Também há um episódio interativo da trama na plataforma, o “Unbreakable Kimmy Schmidt: Kimmy vs Reverendo”, lançado em 2020. 

Pratique o autoconhecimento e potencialize-se!

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