RESENHA DE FILME: “DEPOIS A LOUCA SOU EU” – Da intensidade à busca incessante pela cura da ansiedade

RESENHA DE FILME: “DEPOIS A LOUCA SOU EU” – Da intensidade à busca incessante pela cura da ansiedade

A ansiedade no filme “Depois a louca sou eu”, de Julia Rezende, não é retratada como o senso comum acredita que os sentimentos ansiosos transparecem no corpo. “É só respirar fundo” ou “pensa positivo” não são frases que resolvem o sentimento caótico, mas sim, que atribuem a ansiedade como algo que acontece por vontade própria e, não é assim que a ansiedade se manifesta na pessoa. O filme mostra essa ideia, de que ser ansioso é uma junção de fatos e vivências complexas da vida, além de retratar o sentimento sufocante que circunda a questão.

Dani Teixeira (Débora Falabella) é uma personagem que busca, de qualquer maneira, se libertar de sentimentos ansiosos e de situações que intensificam sua ansiedade. “Eu quero não ter que mentir”, diz a protagonista quando mente para os amigos falando que precisa cuidar da mãe, com o objetivo de fugir de situações que pioram sua ansiedade social. A recusa de convites para viagens, para reuniões de amigos, também representa o receio de Dani sair de sua zona de conforto, herdada da superproteção da mãe.

Silvia (Yara de Novaes), mãe de Dani, não lidou bem com o divórcio entre ela e o marido, ainda quando a protagonista era criança, por isso a condição de Dani foi uma herança das sensações da mãe nesse período solitário e confuso. Diante da separação, a mãe e a filha desenvolveram uma relação muito próxima, porém, Silvia não notava que Dani era uma criança que estava reprimindo emoções e, consequentemente, precisava ir ao psicólogo. A mãe a levou em diversos locais à procura de uma solução para a filha, guias espirituais, benzedeiras, rituais religiosos, mas a filha continuava mais angustiada.

Dani imagina crises em cenários cotidianos, que refletem uma sociedade baseada na autocobrança, no esgotamento mental e no medo de errar e do fracasso. Os riscos profissionais são um dos motivos do estresse mental de Dani na idade adulta, já que possui o sonho de se tornar uma escritora de relevância, e não é encorajada para isso por Silvia, que acredita que o estado ansioso da filha atrapalha sua forma de lidar com as aparições públicas. 

Porém, a ansiedade não a impede de seguir suas aspirações, apesar da angústia que sente apenas de pensar no que pode dar errado. Dani segue a precaução e, assim, é uma excelente profissional, transparecendo que ser ansioso não significa que o trabalho realizado será mal feito. Na história da protagonista, ela aprende que os riscos fazem parte da jornada profissional, quando, no seu emprego em uma das melhores agências de São Paulo, a liderança não estimula o aprendizado, sendo um ambiente opressor que é um dos agravantes da ansiedade. 

Sem dúvida Dani é uma pessoa intensa, que busca sentir profundamente e não acredita no seu próprio potencial, mesmo com um texto publicado e sendo elogiada pelas pessoas. Ela começa a tomar antidepressivos e, após misturar remédios para evitar a sensação de medo e o sentimento sufocante que a condição proporciona, chega em seu pior momento, que traz aprendizados e a faz descobrir a importância da vulnerabilidade no processo de autocuidado. A protagonista aprende que não há nada de errado em sentir demais e que isso faz parte de sua personalidade e diz, metaforicamente: “Sou 70 bolinhas de gude independentes juntas, não sou nenhuma a mais, nenhuma  a menos”. 

Ao longo da narrativa, Dani aprende que pedir ajuda quando necessário é o caminho para conseguir recomeçar e acreditar em si mesma, até com os ataques de pânico e as crises de ansiedade, que não invalidam quem ela realmente é.

“Depois a louca sou eu” foi lançado em fevereiro de 2021 e deu mais visibilidade a temáticas de saúde mental no Brasil.

Pratique o autoconhecimento e potencialize-se!

No Comments

Post A Comment