Resenha de filme: “A maratona de Brittany” na busca pela autoaceitação

Resenha de filme: “A maratona de Brittany” na busca pela autoaceitação

O quarto bagunçado, o acordar ao meio dia, atraso para o trabalho, alimentar-se de fast food,a dificuldade em se concentrar, são elementos de uma vida não saudável. Porém, esses são sinais de uma sociedade que é baseada por aparências e padrões estéticos, por isso, a protagonista Brittany Forgler (Jillian Bell) acredita que sua busca pelo potencial acabou. Ao mesmo tempo que o discurso é de que cada um deve ser feliz com o próprio corpo, Brittany é considerada apenas uma colega engraçada por estar acima do peso e, devido a essa condição, ela mesma pensa não ter conquistado nada de significativo por estar quase com 30 anos.

Brittany começa o filme no verão, com noites seguidas em baladas nos dias da semana, consumo incontrolável de bebidas e doces e uma rotina com quase nenhum esforço, pois não tem energia. Após reflexões sobre sua vida no presente, ela decide ir ao médico, falando que possui dificuldade de se concentrar. Ao chegar na consulta, os batimentos cardíacos de Brittany estão altos e, assim, é diagnosticada com doença hepática gordurosa e precisa perder, pelo menos, 20 kg. A cidade torna-se nublada após o diagnóstico preocupante e começa o outono.

A estação que se inicia já entrega questões conflitantes para a protagonista, com a vida fictícia nas redes sociais de sua amiga e colega de apartamento Gretchen (Alice Lee), que grava vídeos consumindo álcool, simbolizando luxo, e posta fotos como se estivesse em um relacionamento perfeito.  Cansada desse estilo de vida, Brittany decide começar a correr como exercício físico, e fazer isso no quarteirão de sua casa. Na primeira vez que tenta, se sente mal. Ao tentar novamente, percebe que correr na calçada não é nada fácil com os obstáculos que a atrapalham no caminho – é uma metáfora para os desafios internos e externos para a autoaceitação.

Ao entrar para um grupo de corrida, Brittany se sente motivada para participar como corredora na Maratona de Nova York, porém ainda se compara com outros corredores. No grupo, ela conhece Seth (Micah Stock) que lhe diz uma frase importante para seguir com a corrida: “Não se corre para ganhar, mas para terminar”. Tal fala ajuda a entender que cada um possui uma trajetória, tanto na corrida, quanto na vida. Além de Seth, Brittany se torna amiga de Catherine (Michaela Watkins), sua vizinha de prédio, que também passa por desafios, apesar de não parecer. Ela ensina a Brittany que é importante viver a cada dia e estabelecer pequenas metas, para evitar frustrações.

Assim, com os novos amigos, Brittany busca um novo emprego para conseguir pagar suas dívidas, porém realiza várias entrevistas e é recusada por não ser “apropriada” para a vaga. Esse momento demonstra a necessidade de seguir padrões até para conseguir empregos. Ela se sente estressada e come um hambúrguer, porém logo inicia um trabalho como cuidadora de cachorros.

No novo trabalho conhece Jern (Utkarsh Ambudkar), um rapaz que faz muitas piadas e Brittany não o suporta e fala para ele amadurecer. Na primavera, as pessoas começam a segurar a porta no metrô para ela, o que, antes de sua transformação externa, não era feito. Após algumas pequenas intrigas, Jern se torna uma companhia para Brittany, quando ela briga com Gretchen, pela antiga amiga não ter um estilo de vida ético e nem saudável. Nesse momento, ela se reconhece como uma pessoa diferente, que é protagonista da própria vida. Mas, esse sentimento dura pouco, ao momento que começa a correr cada vez mais e fica nervosa por não conseguir perder mais peso e, os movimentos constantes de corrida, causam uma fratura na perna, em que ela deve permanecer de repouso por 5 semanas, logo perto da Maratona de Nova York. 

Durante o repouso, permanece deprimida e se volta para Filadélfia, sua terra natal, onde seu cunhado Demetrius (Lil Rel Howery) fala que a decisão de Brittany ao realizar a corrida é um reflexo dela adquirir responsabilidade por ela mesma. Assim, ela aprende que a maratona é, na verdade, uma busca pela autoaceitação e para construir o mindset para não se importar pelo o que as pessoas diziam sobre ela ser preguiçosa devido a sua aparência. 

Buscar o autoconhecimento e adquirir autoestima é, realmente, uma maratona que parece ser sem fim. Mas, é possível, diante das oportunidades e do apoio necessário durante esse processo. O filme é motivador e contribui para demonstrar a importância da prática de esportes e a construção do autocuidado.

O filme “A Maratona de Brittany” é baseado em uma história real, de Brittany O’Neill, que aparece antes dos créditos finais.

Pratique o autoconhecimento e potencialize-se!

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