Resenha de filme: No Ritmo do Coração – Da insegurança à coragem

Resenha de filme: No Ritmo do Coração – Da insegurança à coragem

Com o nome em inglês de “CODA”, traduzido para “No Ritmo do Coração”, o longa possui um significado muito importante para sermos empáticos com o outro e com nós mesmos e sabermos que o nosso propósito é buscar o que amamos. 

A calmaria na água do mar não simboliza a vida de Ruby (Emilia Jones), de 17 anos, que passa por constante insegurança na adolescência, uma fase complicada e, além disso, é a única pessoa que escuta em uma família de surdos. A protagonista e a família dela passam por desigualdades ao vender os peixes do negócio de pescaria que possuem, única fonte de renda deles. Ruby Rossi também dorme durante as aulas da escola para ajudar na coleta dos peixes ao mar, que é logo ao amanhecer.

A protagonista é uma jovem muito forte emocionalmente, mesmo enquanto passa por bullying na escola devido ao cheiro de peixe após o trabalho com a família e esconde o segredo de que ama cantar. Ao entrar no coral do ensino médio, o professor exigente Bernardo Villalobos (Eugenio Derbez) se impressiona com o talento de Ruby e a motiva a seguir a carreira na música, por isso inicia uma série de treinamentos com a garota para que ela consiga entrar em uma renomada universidade artística. Nesse momento, o conflito da adolescente entre seguir seu sonho e continuar com as responsabilidades familiares, que dependem dela, se inicia.

Sobre a família de Ruby, o pai (Troy Kotsur), a mãe (Marlee Matlin) e o irmão (Daniel Durant) são pessoas que procuram se divertir ao meio do caos, porém se sentem isolados da sociedade, e, por isso, não conseguem apoiar o sonho da filha de cantar e acreditam que ela deve permanecer em casa, cuidando da pesca. Os pais começam a ter dificuldades em pagar as contas, o que preocupa a garota e a faz questionar se cantar é o caminho certo. Essa cena é um reflexo das incertezas que o ambiente escolar, a família e as escolhas pessoais proporcionam na vida humana e impedem a busca pelo caminho que faz sentido. 

Quando a protagonista começa a demonstrar interesse pela música e fala que conseguiu entrar no coral da escola, a mãe não comemora junto, pois é possível perceber que apesar de ser uma pessoa boa, ela deixa os medos impactarem o cotidiano e as escolhas familiares, por mais que tente demonstrar amor incondicional por seus filhos. A relação dela com a filha é complicada, mas Ruby se esforça para que a mãe se sinta acolhida e crie uma comunidade para ela, estimulando a convivência.  Leo Rossi, o irmão, também contribui para a trama ao demonstrar frustrações nos papéis da casa e ao estimular Ruby a ir para a faculdade ao invés de continuar em casa. Juntamente com Leo, o professor a incentiva a superar a timidez e a insegurança para cantar, além de aprender a lidar com o perfeccionismo, pior inimigo na busca pelo potencial. 

O filme demonstra as diferentes formas de amar, seja o amor que se sente pela família, ou o amor próprio, ou a paixão que sente pelo o que quer para a carreira e pelos sonhos. A trajetória de Ruby traz a mensagem de que nós podemos descobrir o que amamos e o quanto podemos crescer. A narrativa traz a mensagem importante de inclusão dos surdos no nosso cotidiano e nas produções Hollywoodianas. E, no momento em que a família motiva a garota a participar da audição, nos ensina que a coragem para seguir o caminho certo, com imperfeições, é necessária. 

Os atores Troy Kotsur, Marlee Matlin e Daniel Durant são surdos na vida real e fizeram história no cinema norte-americano, com indicações e prêmios em eventos relevantes das artes cênicas, como Sundance e Oscar.

Pratique o autoconhecimento e potencialize-se!

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