Resenha de Filme – Tick, Tick… Boom!: o relógio dos 30 anos para ter reconhecimento

Resenha de Filme – Tick, Tick… Boom!: o relógio dos 30 anos para ter reconhecimento

Indecisão, o tempo passando e o barulho do relógio – é o que define a vida de Jonathan Larson, vivendo sob a pressão da mente, pois está prestes a completar 30 anos. O filme “Tick, Tick…Boom” se passa nos anos 90 e simboliza como os padrões sociais causam mais pressão no alcance do sucesso, principalmente pela idade que o protagonista completará. 

O principal conflito interno de Jonathan (Andrew Garfield) é por ter passado 8 anos escrevendo um roteiro de uma peça musical. Para ele, escrever também é reescrever, por isso, demorou tanto tempo e sente que a sua hora de fazer sucesso nunca chegará antes dos 30 anos. Ele conta que recebeu cartas de rejeição de grandes e pequenos produtores e acaba se comparando com a jornada de outras pessoas da mesma idade, inclusive seu melhor amigo Michael (Robin de Jesús), que desistiu da sua carreira artística e começou a trabalhar com publicidade. 

Na história, percebe-se uma crítica em relação às seleções de musicais na Broadway, Nova York, que apesar do filme se passar nos anos 90, é uma realidade que ainda persiste no meio artístico. Jonathan diz que “fazer arte é caro” quando se demite do emprego para seguir o que ama, que é compor. Além disso, o aspirante a artista presenciou a morte de três amigos que faleceram devido à Aids, que, na época retratada no longa, estava atingindo massivamente a população, ele diz: “parece que ninguém fez o suficiente”. Essa visão representa uma sociedade imediatista, a qual pressiona para atingir o padrão de sucesso na carreira e na vida até determinada idade. 

Após presenciar tudo isso à sua volta e lidar com a decisão de sua namorada Susan (Alexandra Shipp) se mudar de Nova York e ela convidá-lo para ir com ela, Jon se vê na única alternativa de focar apenas em compor a principal música da sua obra ‘Superbia’, porém está com bloqueio criativo, e precisa terminá-la rapidamente devido ao workshop que está participando para, depois de 8 anos, apresentar seu musical para produtores. O relógio e a ansiedade presentes nas cenas que ele não consegue compor, são passadas para o público e essa emoção é comum em nossas vidas, visto que vivemos em um momento que exige muita produtividade, o que causa estresse. Assim, o filme espelha essa ideia para mostrar que é algo que persiste, também, no meio artístico, que não é fácil. 

Apesar de Jonathan acreditar na carreira como compositor musical de teatro, ele chega em um momento de desespero, a energia elétrica de seu apartamento é cortada, não possui mais dinheiro, então pede ajuda ao seu amigo Michael, que o indica para uma reunião de publicidade para produtos. Jon não sente que aquilo é para ele e briga com o amigo, mas quando Michael assiste à apresentação do workshop, não quer que Larson abandone seu sonho. 

Dessa forma, a vida é literalmente um relógio, que, a qualquer momento pode explodir, porém, o desespero em alcançar o lugar almejado na vida profissional é reflexo de padrões sociais que causam transtornos de ansiedade e, até, depressivos. “Tick, Tick… Boom” reflete o pensamento e o dilema em seguir um sonho ou seguir as regras sociais e, no fim, Jonathan escolhe perseguir com a composição de musicais, trabalhou muito, até a exaustão. No fim, devemos realizar escolhas que são melhores para as nossas vidas, apesar da pressão da sociedade e a ideia de busca pelo sucesso antes dos 30. Cada um possui sua própria jornada e o filme mostra isso através da história do compositor. 

‘Tick, Tick… Boom!’ É baseado na história real de Jonathan Larson, compositor e escritor de peças de teatros (as mais conhecidas: Rent e Tick, Tick… Boom!) que mudaram o conceito e o paradigma da escrita de roteiros na Broadway. 

Pratique o autoconhecimento e potencialize-se!

No Comments

Post A Comment